29 de mar de 2011

ESTÉTICA AO EXTREMO

A busca desregrada pelo ideal estético está em um momento de controvérsia social. Depois do post “Extreme Beauty In Vogue” resolvi escrever um pouco mais sobre ESTÉTICA e MUDANÇAS.

Começo com um questionamento: O que é a beleza afinal?

É tão subjetivo e questionável, que eu não consigo pensar em algo concreto que responda. SAGRADA por causas enigmáticas, a busca descomunal pela beleza tornou-se constante e comum na existência de tantos. Na era da cirurgia plástica estética (NO MÍNIMO VIA PHOTOSHOP) os padrões de beleza são impostos de modo rotineiro e o corpo perfeito tornou-se uma obsessão.

O que pretendo abordar aqui são as ilimitadas percepções alistadas aos padrões estéticos. Percepções, que não podemos contestar, pois estão ligadas a ideologias do que a beleza representa no entendimento particular.

Rick Genest - New Face da moda, autêntico alega:

"Eu não quero que moleques façam isso e arruinem seu futuro. É uma coisa que deve estar dentro de você. Você tem que ter certeza do que quer."



Amanda Lepore - Modelo transgênero. Exemplo na busca extrema de estética.

"Há sempre uma cirurgia nova a ser mostrada."

Atualmente, as pessoas não se envergonham em expor sua busca pelo ideal estético. Ao contrário disso, querem mostrar o que realmente são (ou buscam ser) e afirmar sua identidade e conceitos de vida através do corpo e comportamento, independente do “makeover” atrelado.

Diante da diversidade de estilos e da globalização, o consentimento social em relação a diferenças e escolhas pessoais está mais flexível. Em tempos de democratização social, cada um segue o padrão que mais lhe agrada.


O luxo simples nos dias de hoje está mais ligado a sensações e ao emocional do que ao que é caro e ostensivo. Esse novo luxo é pessoal, se refere ao que dá prazer e bem estar para cada indivíduo. Ele valoriza o simples, a memória, a cultura, as experiências, as emoções...Nada é empecilho, tudo é válido e divertido para se permitir esse simples luxo. (SENAI DESIGN, Perfil Moda Inspirações + Tendências Verão 2010/11, 2010, p. 8)


Após ler o trecho do texto acima sobre novos anseios sociais de comportamento, concluí que estávamos em tempos de encontrar nossa verdadeira identidade. Mas mudei minha concepção após refletir um pouco.

Com a acessibilidade atual, noto que as pessoas (não todas) estão pouco preparadas para a informação simultânea e para a influência da mídia. Deste modo, acabam se perdendo diante dos fatos e deixando de avaliarem seus próprios conceitos e valores estéticos, levando em consideração simplesmente o que lhes agradam no momento específico.

Isabelle Caro Before - Modelo e atriz francesa

 Faleceu em 2010 com 28 anos e com anorexia extrema.

Com esta tendência de “ser o que quiser” a auto-afirmação e altivez são acoplados automaticamente ao indivíduo que alcança o ideal estético desejado. Justamente neste ponto estaria o agente do descontrole estético. Nós nunca estamos satisfeitos. Seres humanos são inconstantes e a busca pelo novo é habitual.

Kerry aplicando botox na filha Britney de 8 anos.

Kerry: "O que eu faço para Britney vai ajudá-la a se tornar uma estrela ... mais mães deveriam fazer isso com suas filhas."

Britney: "Toda noite eu checo se estou com rugas – se vejo alguma quero mais injeção. Elas doíam, mas agora não choro tanto. Também quero seios e uma operação no nariz, para que eu seja uma estrela."

Diante da imposição estética constantemente mutável e a busca desregrada pelo ideal de beleza, podemos observar que são os itens relevantes quanto a PERCA ou AFIRMAÇÃO de um conceito de vida e identidade pessoal.

AUTENTICIDADE SEMPRE. Tendência mesmo é considerar quem realmente somos e quais nossos valores.

28 de mar de 2011

TREND IMAGE

Miskullbones - Terry Richardson

EXTREME BEAUTY IN VOGUE

Cem das mais primorosas fotos promulgadas na Vogue Americana nos últimos 80 anos, fizeram parte da exposição “Extreme Beauty In Vogue” mostrada no Palazzo della Regione de Milão em 2009.

Uma crítica fotográfica retrata a busca excessiva pela beleza na sociedade, de forma que ao longo do tempo os arquétipos e a percepção da beleza se desvirtuaram.

Parte da exposição é abalizada pela manipulação fotográfica e pela cirurgia plástica estética, práticas que estão em voga nos últimos anos. “Faz parte do que a mulher é hoje”, diz Anna Wintour em relação à busca desenfreada pela beleza.

Entre sofás de veludo, seqüencias de cortinas e um chão de terracota do século XIII, cada imagem permaneceu em sala individual, para que o espectador pudesse apreciar a exposição “de maneira mais profunda e tranquilamente, da forma mais respeitosa e pessoal”, segundo Jean Nouvel diretor artístico da exposição.

A curadoria das imagens ficou por conta de Anna Wintour, que selecionou trabalhos de fotógrafos consagrados como Annie Leibovitz, Steven Klein, Irving Penn e Helmut Newton.


Irving Penn - Sweetie (A) - Janeiro 2002

Irving Penn - Mascara Wars - Julho 2002

Irving Penn - Bee On Lips - Dezembro 1995

Irving Penn - Football Face - Novembro 2002

Steven Klein - Dream Cream - Janeiro 2002

Helmut Newton - Monte Carlo - Fevereiro 1995

Irving Penn - Large Nude Seated - Abril 2004

Richard Avedon - Twiggy - Janeiro 1968

Irvin Penn - Cult Cream - Junho 1996

Steven Klein - Inteligent Design Remote Control - Janeiro 2006

Steven Klein - Medical Mistakes - Maio 2008

As fotos selecionadas para a exposição "Extreme Beauty In Vogue" podem ser conferidas através do catálogo lançado pela editora Skira com autoria de Domenico Dolce, textos de Stefano Gabbana e Eva Respini.

Capa: Erwin Blumenfeld - Jean Patchett - Janeiro 1950

"Extreme Beauty In Vogue"
Domenico Dolce - Stefano Gabbana - Eva Respini
Editora Skira - 2009 - 200 páginas
R$ 143,63


21 de mar de 2011

TREND IMAGE

Generation Takes Over Vogue Hommes Japan By Steven Klein

CAMP STYLE

 Tudo ao mesmo tempo e agora”. Será que pega?
 .
Teatral, conceitual, cômico, escultural, extravagante, frívolo. Estes são alguns definidores do CAMP STYLE. A principal característica é a alta dose de humor e pitadas de ironia atrelada aos looks. 
.
A publicação do estilo no mundo fashion ficou por conta das marcas Miu Miu, Prada e Marc Jacobs nas coleções de verão 2011/2012, Neon e André Lima em suas coleções de inverno 2011.

Prada Spring Summer 2011/2012

Marc Jacobs Spring Summer 2011/2012

Totalmente contrária a moda minimalista, o CAMP STYLE chega com gás total para trazer humor aos dias clássicos, rotineiros e cheios de tons pastel, off-white e P&B.
Segundo pesquisadores de tendências de consumo e comportamento, a busca pelo hilário nestes dias de profusão de informação em velocidade da luz é o causador deste movo estilo.
 .
O termo CAMP deriva-se da língua francesa: “si campista” e significa “colocar em forma exagerada”. No primeiro registro do termo, em 1909 no dicionário inglês Oxford, a definição se resume a “ostentação exagerada, algo afetado, teatral, efeminado ou homossexual”.
 .
Com o descerramento do estilo nas passarelas, é fato que a qualquer momento vai acabar chegando às ruas. Preparem as perucas "over color", pois já podemos conferir várias personalidades do mundo fashion com itens do CAMP STYLE, portanto, é bom ir se acostumando com as altíssimas doses de humor e exagero.


Daphne Guinness - Personalidade do mundo fashion e colecionadora de Alta Costura




Anna Dello Russo - Editora da Vogue Japão

Anna Piaggi - Ícone de estilo e escritora de moda italiana

Tavi - Blogueira e fashionista

"Palma, palma, não criemos cânico": A moda CAMP requer cuidado dobrado, pois o espaço entre este estilo e transforma-se em uma alegoria carnavalesca não é um passo muito grande. Autenticidade e auto confiança são itens totalmente indispensáveis no uso deste novo estilo.
 .
Susan Sontag, pensadora e crítica de arte norte-americana, foi quem consolidou o estilo em 1964 no texto “Notes on ‘Camp’”. No mesmo texto monetizou a iconográfica frase que sintetiza este gosto ao extrapolo:
 .
É bom porque é horrível: o statement definitivo do Camp”.

17 de mar de 2011

TREND IMAGE

Fashion Show Reception By Gianne Kelly

FASHION SHOW Inverno 2011


O maior evento de moda em Divinópolis dilapidou beleza, inovação, qualidade e bom gosto. A terceira edição do FASHION SHOW incidiu no dia 15/03/2011 e reuniu em um desfile-show marcas conceituadas na região e no Brasil.

Os organizadores e produtores do evento (SINVESD, FIEMG, SEBRAE, SEDE-MG, Fabrício Brito, Patrícia Gonçalves e Rodrigo Bessa/Oficina da Moda) merecem reconhecimento pela iniciativa que abarca com eficácia a cidade de Divinópolis e seu setor confeccionista no calendário mineiro de moda.





A efetivação do Fashion Show é artefato da tática do Sinvesd na divulgação dos artigos da indústria confeccionista regional. “A ação é somada à participação das empresas de Divinópolis nos principais eventos de moda do país. Há seis anos levamos nossos produtos para o São Paulo Fashion Week, o Rio-à-Porter e para o nosso Minas Trend Preview”, afirma o presidente do Sinvesd, Antônio de Araújo Rodrigues Filho.

As empresas participantes apresentaram as propostas do inverno 2011 para cerca de 1000 convidados, dentre eles compradores de São Paulo, Brasília e de várias regiões do estado de Minas Gerais. Os compradores que permaneceram na cidade, já alargaram o volume de vendas nas empresas participantes que efetivaram bons negócios no dia seguinte.






O evento foi finalizado com excelência e inovou mostrando as coleções de TCC dos ex-alunos do curso de Design de Moda FACED e abriu caminhos para estes novos criadores: Eliana Cunha e Luciene Alves e Willian Teixeira.

Segundo nota do SINVESD, a próxima edição acontecerá em Setembro e será ainda mais visionária, atrelando ao FASHION SHOW uma feira de moda, além dos desfiles e atrações musicais. “O DIVINÓPOLIS FASHION SHOW é a grande aposta do SINVESD para promoção nacional do polo de moda do Centro Oeste Mineiro.”



As empresas participantes:

Chianelli

Relicário

Sassafrás

Território Nacional TN

Bia Blue

Donna Flor

Maria Du Jão

Luluzinha

Fashion Designer

Paulina Borges

14 de mar de 2011

TENDÊNCIAS


Tendência é o estudo de direcionamentos que influenciam os setores de design em uma determinada temporada futura aliando-se ao seguimento de produção, público alvo e tema a ser trabalhado. As tendências podem ter relação com épocas remotas em contraste ou analogia a contemporaneidade, serem influenciadas por acontecimentos sociais de níveis globais, fazerem analogia a previsões futuristas do planeta e sempre acompanham o comportamento social.

Consequentemente, uma tendência é o embasamento teórico no desenvolvimento de um produto de acordo com a viabilidade de produção, conceitos de marca e identidade, prezando por inovação, funcionalidade e direcionamento de público alvo.

A partir do estudo destes fenômenos sociais influentes no setores de design, são disponibilizadas informações sobre a matéria-prima disponível no mercado, automaticamente gerando tecidos, cores e aviamentos da temporada (especificamente no setor confeccionista).

Tendência: s.f. Ação, força pela qual um corpo é levado a mover-se em direção a alguma coisa: tendência dos corpos para a terra. / Fig. Pendor, inclinação: tendência à mentira. // Psicologia, Diz-se para designar certos instintos, certos impulsos do homem, especialmente na medida que estes instintos ou impulsos são conscientemente experimentados no comportamento que determinam. (Dicionário AURÉLIO online - http://www.dicionariodoaurelio.com/Tendencia )

Ao realizar uma pesquisa sobre inspirações de moda, o designer pode utilizar vários materiais como vídeos, fotografias, revistas, anotações de viagens, entre outros. Uma observação mais apurada, ajuda a identificar elementos de estilo. São considerados elementos de estilo de uma estação os pontos que aparecem com maior frequência na pesquisa de tendências, como um tipo de tecido, um comprimento de calça, um desenho de estamparia. A fotografia é muito útil neste caso, pois possibilita agrupar essas referências identificadas em painéis de tendências.

O painel de tendências é um compilado de informações agrupadas de maneira agradável e de fácil percepção visual, para auxiliar o designer a identificar as tendências da estação. É por intermediário do painel de tendências que o designer pode visualizar os elementos de estilo a serem utilizados em sua coleção para que se apresente contextualizada com os demais lançamentos. (TREPTOW, Doris, 2005, p.83)

O mercado ávido em atender cada vez melhor e direcionar seus produtos de acordo com as aspirações do consumidor, busca a cada dia se inteirar mais das tendências de consumo e produção. Atualmente, já existem grupos especializados em desenvolver a pesquisa de tal, de acordo com perfil de consumo, seguimento de produção, matéria-prima, tecnologia e outros tantos limitadores de produção.

Pra quem deseja aprofundar no assunto TENDÊNCIA, um bom ponto de partida é o livro "Observatório de Sinais".



"Observatório de Sinais"
Dario Caldas
Editora SENAC Nacional - 2004 - 224 páginas
R$ 55,00
Livraria Cultura http://tinyurl.com/4upgu4v
O livro apresenta uma análise abrangente e inovadora do tema "tendências", um olhar crítico e desafiador sobre verdades tidas como absolutas e há muito sedimentadas nesse universo. Dario Caldas produziu uma obra que se destaca pelo questionamento do que existe de anacrônico, imediatista e superficial na construção das tendências. Um trabalho baseado em uma pesquisa multidisciplinar e que surpreende por muitos aspectos, especialmente pela diversidade e contemporaneidade das questões apresentadas. O autor parte da desmistificação do conceito de tendência, desde sua origem à forma como é utilizado nas mais diferentes indústrias e setores.

1 de mar de 2011

Consumidores do Século XXI - KIDULTS


Há dois dias, por volta de 4 horas da manhã ao sair de uma festa com alguns amigos, fomos a uma praça para andar em um carrossel residente no local. O mais novo entre nós, deveria ter no mínimo 20 anos. Ao me lembrar do grupo “Kidults” me perguntei: "Voltamos a ser crianças por uns minutos, ou nunca deixamos de ser?"


Com a afirmação do grupo “Kidults” no mercado de consumo, os designers, marketeiros e estudiosos de comportamento, focam o olhar nestes potenciais consumidores do século XXI.

O termo Kidult é a junção de kid (criança) e adult (adulto) e foi criado por um grupo de publicitários observadores de tendências nos anos 2000 e disseminado em 2003 no artigo “The Children Who Won't Grow Up”, do sociólogo Frank Furedi.

A partir destas observações, concluiu-se que durante o início do século XXI seria um período voltado para a LEMBRANÇA e NOSTALGIA de tempos onde éramos aparentemente mais felizes: a nossa infância. Este movimento está se estabelecendo pelo mundo, firmando este “novo” grupo de pessoas: os Kidults.

Os Kidults são característicos por preservarem elementos da infância em sua rotina. A nostalgia de um tempo onde não tinham preocupações como atualmente é a explicação fátua para o surgimento desde grupo. Os tempos de infância onde o açodamento diário não fazia parte da rotina é a referência para os adeptos ao movimento.

Sem negar os cargos da vida adulta, os Kidults trazem novas conciliações para os papéis de um adulto, solidificando os novos conceitos de vida do século XXI. Cabe irreverência, criatividade e a permissão do trânsito entre tempos e idades. Pensar em algum refúgio para liberdade e felicidade durante estes tempos de informação em profusão e velocidade da luz é condição primordial.

Contemporâneo, cibernético, alternativo e peculiar, buscam sair dos padrões impostos pela sociedade uniforme onde vivem. Estão longe de serem adultos fantasiados de crianças e negarem as responsabilidades da vida adulta. O que os caracteriza, é agregar à sua rumorosa rotina elementos onde podem se refugiar da correria diária buscando esquivar-se deste hábito comum nos elementos que os remetem a momentos mais venturosos.

Este grupo compreende todos que cultivam hábitos nada maduros, como coligir brinquedos, passar horas jogando Playstation, vestir-se de maneira pueril ou simplesmente por escolher viver a vida de forma mais feliz, sem se preocupar excessivamente com contextos que não demandam tal dedicação... Você também sofre desse mal (BEM)? Crescer pra quê?